Fiquei Pobre investindo em imóvel na planta – E02

Tempo de leitura: 4 minutos

Vamos continuar essa semana a contar nossa experiência com a compra de um terreno na planta.

Se você não leu a primeira parte do artigo, não deixe de conferir aqui.

Ressalto novamente que meu intuito é abrir a discussão para que você veja com mais amplitude as suas opções antes de tomar uma decisão.

Pois bem, minha decisão de comprar um terreno financiado foi em 2016, pouco tempo depois do impeachment da Dilma.

Na época havia uma desconfiança muito grande no que ocorreria com o Brasil e os mercados haviam derretido.

Isso fez minha confiança aumentar, pois eu achei que o mercado de imóveis já estava precificado para baixo, e que portanto a tendência era subir.

Ledo engano, o que vimos a partir dali foi uma estagnação completa da economia brasileira, com crescimento pífio.

Isso mostra que nem sempre os ciclos são bem definidos, tanto as quedas quanto as subidas.

Aliás, estamos na pior década de crescimento desde 1901, de acordo com estudo feito pela FGV (fonte) e isso deverá fazer com que todos nós tenhamos um cuidado maior com nossa vida financeira daqui para frente.

A entrega do empreendimento

A entrega do empreendimento estava prevista pra julho de 2018, mas foi entregue em janeiro de 2019.

Não importa a construtora, se é entrega de terreno, casa ou apartamento, sempre considere 6 meses de atraso, pois isto já é previsto no contrato e geralmente é utilizado pelos empreendedores.

Outro ponto é que neste momento é a fase decisiva da obra. Serão necessários muitos processos burocráticos de fiscalização da obra, reparos do que não ficou bom, documentações, averbações, etc.

Tudo isso leva a um aumento dos gastos por parte da construtora.

O pós venda

Nesta fase o empreendimento já foi entregue, mas ainda não terminou totalmente, pois a fase da garantia começa a valer.

E aqui surge uma oportunidade para uns e revolta para outros. Como em muitos casos, a construtora ficou ainda com muitos lotes, e consequentemente ela é obrigada a pagar condomínio, o que pode não ser nada interessante.

E o que ela pode fazer? Opção 1, começar a queimar os terrenos para vendê-los dependendo da situação do mercado. Isto quer dizer que ela vai jogar o preço para baixo ou, opção 2, segurar os valores a preços atualizados, esperando o mercado melhorar.

O que aconteceu comigo se encaixa na primeira opção, a construtora, depois de inaugurado o empreendimento, jogou o preço abaixo do lançamento. Isso mesmo! Quem comprou antes foi impactado por uma quantidade grande de lotes a preços muito baixo.

Isso provocou uma revolta em mim e em muita gente. Não acreditavamos no que estava acontecendo.

Aqui mais uma lição: quem manda é o mercado e ponto. O efeito da maioria vai prevalecer, com algumas exceções.

Não adianta achar ruim, protestar. Não é pessoal. É a vida como ela é.

O mercado não liga se a pessoa está com dificuldade financeira, se perdeu algum ente querido, se separou, etc. Sempre haverá motivos, mas as pessoas não usam isso como critério para comprar por um valor menor ou maior. O que manda é a velha oferta e procura.


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O que fazer então?

Nestas situações somos testados ao extremo, pois não queremos admitir que fizemos um mal negócio e ficamos insistindo em algo que pode não vingar.

Dá um arrependimento, raiva, descrença, mas não tem outra forma. É preciso botar no papel os prós e contra para decidir o que é o melhor diante das circunstâncias: assumir o prejuízo, aguardar, colocar um prazo limite.

Não existe o certo ou errado nessa hora. A coisa já aconteceu e nada vai mudar porque a gente quer.

O mesmo vale para outros tipos de negócio, por exemplo, ações. Se você vê que a empresa perdeu os fundamentos, vai ter que analisar: segura o investimento ou assume o prejuízo.

No meu caso resolvemos (que bom que pudemos) esperar a queima de terrenos da construtora, pois o valor estava muito abaixo do que havíamos pagado.

Mudança é a única certeza

A única certeza nessa vida é a constante mudança.

Isso ficou bem claro pra mim. Estar com o patrimônio muito concentrado é elevar seu risco de tomar um tombo muito feio.

As pessoas contabilizam obviamente sua própria casa como ativo, mas esquecem que é um bem ilíquido (difícil de vender) e que portanto seria prudente ter outros bens ou aplicações financeiras com características diferentes para ter uma diversificação e segurança maior.

No meu caso resolvemos vender o terreno devido a mudança de planos em nossa vida, mas poderia ser qualquer outro motivo.

Continua…

No próximo artigo e último desta série, entraremos em alguns números que são importantes serem contabilizados e também fecharemos com algumas reflexões.

Se você está gostando desta série, não deixe de compartilhar com seus conhecidos, pode ser útil a eles.

Até a próxima.

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